Alta do consumo de tecnologias médicas, avanço das cirurgias e ampliação da rede de saúde sustentaram o desempenho positivo. Foram abertos quase 3 mil novos empregos.
O mercado brasileiro registrou crescimento de 4,8% no consumo de dispositivos médicos no primeiro trimestre de 2026, na comparação com o mesmo período de 2025. O indicador considera a soma da produção nacional com as importações, descontadas as exportações. Os dados são do Boletim Econômico da Aliança Brasileira da Indústria Inovadora em Saúde (ABIIS), que acaba de ser divulgado.
Entre os segmentos analisados, ‘Reagentes e analisadores para diagnóstico in vitro’ apresentou o maior crescimento, com alta de 7,9%, seguido por ‘Materiais e equipamentos para a saúde’, que avançaram 4,9%. Já o segmento de ‘Próteses e implantes – OPME’ registrou queda de 3,8% no período.
No comércio exterior, as importações de dispositivos médicos somaram US$ 1,6 bilhão no primeiro trimestre de 2026, alta de 5,4% em relação ao mesmo período de 2025. Já as exportações alcançaram US$ 208 milhões, recuo de 9,9% no período. Com isso, o déficit da balança comercial do setor chegou a US$ 1,4 bilhão, aumento de 8,2%.
No mercado de trabalho, o setor abriu 2.898 vagas nas atividades industriais e comerciais, totalizando 144.365 trabalhadores. O número representa crescimento de 2% em relação a dezembro de 2025. O destaque foi a atividade de ‘Fabricação de materiais para medicina e odontologia’, responsável pela criação de 589 postos de trabalho, no período.
Para o presidente-executivo da ABIIS, José Márcio Cerqueira Gomes, “o setor continua demonstrando resiliência, mesmo diante de um cenário econômico complexo. A alta foi impulsionada pelo aumento no número de cirurgias, pela expansão dos testes diagnósticos e pelo maior consumo de tecnologias médicas. Por outro lado, o ambiente macroeconômico continua desafiador, marcado por altas taxas de juros, endividamento recorde, inflação persistente e pelo crescimento do déficit da balança comercial”, analisou.
No acumulado de janeiro a março de 2026, o SUS realizou cerca de 1,57 milhão de cirurgias, crescimento de 3,1% em relação ao mesmo período de 2025. Destaque para o aumento de 13,2% nas ‘Cirurgias do sistema nervoso central e periférico’ e de 11,9% nas ‘Cirurgias bucomaxilofaciais’.
Na atenção ambulatorial, foram realizados cerca de 2,8 bilhões de exames no SUS, no primeiro trimestre de 2026, crescimento de 2,9% em relação ao mesmo período de 2025, quando foram contabilizados cerca de 2,721 bilhões de procedimentos. Cresceram 14,1% os exames de “Diagnóstico por ressonância magnética” e houve uma redução de 57,8% nos “Diagnósticos em vigilância epidemiológica e ambiental”.
No mesmo período, o SUS realizou cerca de 3,4 milhões de internações hospitalares para consultas, tratamentos e diagnósticos, recuo de 0,9% em relação ao primeiro trimestre de 2025. As internações para tratamentos clínicos apresentaram queda de 4,9%, influenciadas principalmente pela redução de 9,35% nos casos de “Tratamento de internações por pneumonias ou influenza”. Também se destacaram a redução de 14,42% para diagnóstico por endoscopia e o aumento de 12,22% nas internações relacionadas a “Métodos de diagnósticos em especialidades”.
A ampliação da rede de saúde também contribuiu para o desempenho positivo. O SUS contabilizou 101.825 estabelecimentos em março de 2026, contra 101.234 em dezembro de 2025, com a abertura de 591 unidades no período, incluindo 216 clínicas e centros especializados. Na rede não vinculada ao SUS, foram abertas 2.935 unidades, com destaque para 1.100 novas clínicas e centros especializados.
O Boletim Econômico ABIIS é desenvolvido pela Websetorial Consultoria Econômica.
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