Avanço das cirurgias e dos exames e ampliação da rede de saúde sustentaram o desempenho positivo. Setor abriu mais de 7 mil empregos entre janeiro e junho.
O mercado brasileiro registrou crescimento de 7,5% no consumo aparente de dispositivos médicos, no primeiro semestre de 2026, na comparação com o mesmo período de 2025. O indicador considera a soma da produção nacional com as importações, descontadas as exportações. Os dados são do Boletim Econômico da Aliança Brasileira da Indústria Inovadora em Saúde (ABIIS), que acaba de ser divulgado.
Entre os segmentos analisados, ‘Reagentes e analisadores para diagnóstico in vitro’ apresentou o maior crescimento, com alta de 12,5%, seguido por ‘Materiais e equipamentos para a saúde’, que avançaram 6,9%. Já o segmento de ‘Próteses e implantes – OPME’ registrou crescimento de 0,6% no período.
No comércio exterior, as importações de dispositivos médicos totalizaram US$ 3,4 bilhões, no acumulado de janeiro a junho de 2026, alta de 8,2% em relação ao mesmo período de 2025. Já as exportações somaram US$ 456 milhões, recuo de 5,9% no período. Com isso, o déficit da balança comercial do setor chegou a US$ 2,9 bilhões, aumento de 10,8%.
O setor abriu 7.445 vagas nas atividades industriais e comerciais, no primeiro semestre de 2026, totalizando 148.912 trabalhadores. O número representa crescimento de 5,3% em relação a dezembro de 2025. O destaque foi a atividade de ‘Fabricação de instrumentos não eletrônicos e utensílios para uso médico, cirúrgico, odontológico e de laboratório’, responsável pela criação de 447 postos de trabalho no período.
Para o presidente-executivo da ABIIS, José Márcio Cerqueira Gomes, “os resultados reforçam a importância estratégica do setor e demonstram que a demanda por produtos e tecnologias para a saúde deve continuar crescendo nos próximos anos. O envelhecimento da população será um importante vetor dessa expansão”.
No acumulado de janeiro a junho de 2026, o SUS realizou cerca de 3,28 milhões de cirurgias, crescimento de 4,5% em relação ao mesmo período de 2025. Destaque para o aumento de 16,4% nas ‘Cirurgias do sistema nervoso central e periférico’ e de 10,9% nas ‘Cirurgias bucomaxilofaciais’.
Na atenção ambulatorial, foram realizados cerca de 2,62 bilhões de exames no SUS, no primeiro semestre de 2026, crescimento de 3,7% em relação ao mesmo período de 2025. Cresceram 16,7% os exames de ‘Diagnóstico por ressonância magnética’, enquanto os procedimentos de ‘Diagnóstico por anatomia patológica e citopatologia’ apresentaram redução de 5,3%.
No mesmo período, o SUS realizou cerca de 7,18 milhões de internações hospitalares, alta de 0,8% em relação ao primeiro semestre de 2025. Os tratamentos clínicos apresentaram queda de 3,1%, influenciadas principalmente pela redução de 12,3% nos casos de ‘pneumonias ou influenza’. Também se destacaram a redução de 12,5% para diagnóstico por endoscopia e o aumento de 2,2% nas internações relacionadas a ‘Métodos de diagnósticos em especialidades’.
A ampliação da rede de saúde também marcou o período. O SUS contabilizou 103.193 estabelecimentos em junho de 2026, contra 101.234 em dezembro de 2025, com a abertura de 1.959 unidades, alta de 1,9%. Na rede não vinculada ao SUS, foram abertos 17.251 estabelecimentos, totalizando 375.899 unidades no país, crescimento de 4,8%.
Evolução da indústria brasileira de dispositivos médicos
Esta edição do Boletim Econômico ABIIS traz uma análise sobre a Evolução da Indústria Brasileira de Dispositivos Médicos à Luz das Políticas Industriais e das Condições Macroeconômicas (2007–2024).
Os resultados sugerem que “o sucesso da Nova Indústria Brasil dependerá não apenas da continuidade dos instrumentos de política industrial, mas também da construção de um ambiente macroeconômico mais favorável ao investimento produtivo. Em um setor intensivo em tecnologia, caracterizado por elevados investimentos em pesquisa, certificação regulatória e modernização industrial, a manutenção de taxas de juros elevadas tende a limitar a permanência de empresas no mercado e a reduzir a capacidade de expansão da produção nacional. Dessa forma, a articulação entre política industrial, política de inovação e política macroeconômica constitui um elemento essencial para fortalecer a competitividade da indústria brasileira de dispositivos médicos e reduzir sua dependência tecnológica externa”, diz o documento.
O Boletim Econômico ABIIS é desenvolvido pela Websetorial Consultoria Econômica.
Please wait while flipbook is loading. For more related info, FAQs and issues please refer to DearFlip WordPress Flipbook Plugin Help documentation.