Debate reuniu indústria, especialistas e reguladores para discutir os caminhos da cirurgia digital e a incorporação de novas tecnologias.
A cirurgia do futuro será construída a partir da convergência entre inteligência artificial, interoperabilidade, robótica, análise de dados e hospitais inteligentes. Mais do que incorporar novas tecnologias, o desafio do setor será integrar diferentes sistemas, promover colaboração entre os diversos atores do ecossistema de saúde e garantir que a inovação gere resultados concretos para pacientes e profissionais.
Esses foram alguns dos temas debatidos durante o painel ‘A Cirurgia do Futuro: IA, Interoperabilidade, Robótica e Hospitais Inteligentes’, que reuniu representantes da indústria, especialistas em assuntos médicos e regulatórios e representantes da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
A moderadora Liliana Perez, executiva regional de Marketing e diretora do Conselho de Administração da ABIIS, destacou que o desafio atual já não está centrado na disponibilidade tecnológica, mas na capacidade de conectar informações e promover uma atuação mais integrada entre indústria, reguladores, profissionais de saúde e pacientes. “Precisamos liderar esse processo, trabalhar em colaboração e, em certa medida, reinventar a forma como atuamos nesse ecossistema”, defendeu.
A gerente regional sênior de Assuntos Regulatórios e Qualidade da Intuitive Surgical, Emilene Bertoldo Martins, afirmou que o foco da cirurgia robótica deixou de estar no equipamento isolado e passou a abranger todo o ambiente digital que conecta tecnologias, dados e processos assistenciais.
A especialista explicou que a evolução dos sistemas já permite a realização de etapas completas de procedimentos cirúrgicos com apoio computacional, mas que o verdadeiro potencial da inovação está na integração entre diferentes ferramentas digitais. “O foco é o ecossistema digital. É nele que entram a inteligência artificial, a computação de dados e o conceito de hospitais inteligentes. É aí que está o futuro”, destacou.
Na sequência, o gerente sênior de Assuntos Médicos da Johnson & Johnson MedTech, Maurício Azevedo, abordou a evolução tecnológica da cirurgia a partir do conceito da curva em S, segundo o qual diferentes técnicas atingem níveis de maturidade e abrem espaço para novos ciclos de inovação.
Segundo ele, após a consolidação da cirurgia aberta e da cirurgia minimamente invasiva, o setor passa agora a viver a era da cirurgia digital, impulsionada pela integração entre inteligência artificial, robótica, plataformas conectadas e análise de dados. Para Azevedo, “esse novo cenário coloca o paciente no centro do processo de inovação, permitindo entender seus próprios dados e visualizá-los de forma estruturada. Isso ajuda a compreender como ele pode melhorar dentro dessa tecnologia, como pode evoluir a partir das suas próprias informações e como pode se comparar, de forma longitudinal, com outros perfis semelhantes, para melhorar continuamente seus resultados.”
Já o especialista em Regulação e Vigilância Sanitária da Anvisa, Francisco Iran Cartaxo Barbosa, apresentou a visão regulatória para esse novo ambiente digital e ressaltou a importância da construção colaborativa das normas que irão orientar a incorporação dessas tecnologias. A Agência tem ampliado mecanismos de diálogo com a sociedade, fabricantes, especialistas e outros reguladores internacionais para acompanhar a velocidade das transformações tecnológicas. “Quanto mais consultas realizamos, mais conseguimos incorporar diferentes perspectivas, porque várias cabeças pensam melhor do que uma.”, afirmou.
O representante da Anvisa também abordou temas como interoperabilidade, integração entre sistemas e inteligência artificial exigem modelos regulatórios mais dinâmicos, combinando avaliação pré-mercado, vigilância pós-mercado e responsabilidades compartilhadas entre fabricantes, prestadores de serviços e demais integrantes do ecossistema.



