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Ambiente de negócios e inovação em saúde pautam debate sobre competitividade da indústria de dispositivos médicos no Brasil

Painel reuniu representantes da indústria e do governo para discutir financiamento, regulação, desenvolvimento tecnológico e fortalecimento da produção nacional.

O fortalecimento do ambiente de negócios como condição essencial para ampliar a inovação, a competitividade e a capacidade produtiva da indústria de dispositivos médicos esteve no centro dos debates da mesa “O ambiente de negócios no Brasil: caminhos para investimento, competitividade e inovação em dispositivos médicos”, realizada durante o XI Fórum ABIIS e moderada por Davi Uemoto, diretor do Conselho de Administração da Aliança.

Ao abrir a discussão, Uemoto destacou que o tema vai além dos interesses empresariais e está diretamente relacionado à produtividade, à capacidade de inovação e ao desenvolvimento econômico e social do país. O moderador também ressaltou a importância da atuação coordenada entre os diferentes atores envolvidos. “Estamos todos aqui representados e juntos nesse processo, de forma coordenada, ainda que nem sempre no mesmo ritmo. E talvez essa diferença de ritmo seja justamente um dos grandes desafios que precisamos reconhecer e administrar”, afirmou.

O CEO da Braile Biomédica, Rafael Braile, destacou a relevância dos instrumentos de financiamento à inovação disponibilizados por instituições como BNDES e Finep, mas alertou para a necessidade de políticas públicas de longo prazo que ofereçam previsibilidade aos investimentos em saúde. O executivo também chamou atenção para gargalos relacionados ao acesso ao crédito por pequenas e médias empresas, à utilização de incentivos fiscais, à dependência de fornecedores internacionais e à ampliação da infraestrutura nacional para realização de ensaios e testes necessários ao desenvolvimento de dispositivos médicos.

Segundo Braile, a ampliação da capacidade nacional para realização de testes é um dos fatores que podem acelerar o desenvolvimento de tecnologias no país e reduzir custos para as empresas. “Quando desenvolvemos um produto, precisamos cumprir uma série de normas e realizar diversos ensaios para comprovar sua segurança e eficácia. Hoje, conseguimos realizar apenas cerca de 30% a 40% desses testes. Os demais ainda precisam ser conduzidos no exterior. Temos competência técnica, universidades e centros de pesquisa qualificados para mudar essa realidade”, disse.

O secretário-adjunto da Secretaria de Competitividade e Política Regulatória do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Leonardo Ferreira de Oliveira, concordou que o país enfrenta o desafio de converter essa demanda em capacidade produtiva, inovação e exportações. Destacou iniciativas governamentais voltadas à redução do Custo Brasil, os impactos positivos da reforma tributária sobre os investimentos produtivos e o potencial da inteligência artificial para aumentar a eficiência dos processos regulatórios.

Ele falou das metas estabelecidas pelo governo para ampliar a produção nacional no setor saúde por meio da Nova Indústria Brasil (NIB). “Temos o objetivo de consolidar o Complexo Econômico-Industrial da Saúde, fortalecendo o SUS, ampliando o acesso da população à saúde e reforçando a capacidade nacional de resposta em vigilância sanitária. A meta é atender, até 2026, 50% das necessidades nacionais em bens de saúde e alcançar 70% até 2033”, pontuou.

Já o secretário-adjunto de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde do Ministério da Saúde, Eduardo Jorge Valadares Oliveira, enfatizou o papel estratégico da saúde como uma das principais demandantes de tecnologia no país e defendeu maior alinhamento entre investimentos em pesquisa, desenvolvimento tecnológico e as necessidades concretas do sistema de saúde. Entre as iniciativas apresentadas, ele destacou a construção de um plano nacional de modernização da infraestrutura tecnológica da rede pública de saúde.

“O MS está estruturando um amplo programa de investimentos e reaparelhamento dos hospitais vinculados ao SUS para os próximos cinco anos. A proposta é construir um plano de modernização do parque tecnológico do sistema público de saúde, criando oportunidades para impulsionar a inovação, fortalecer a indústria nacional e ampliar o uso de instrumentos de financiamento disponíveis por meio do BNDES e da Finep”, finalizou.