O uso da computação cognitiva no cuidado com a saúde vai permitir não só organizar e otimizar as buscas por dados de pacientes, por exemplo, mas também de auxiliar médicos em diagnósticos e tomada de decisões

 

A tecnologia avança a passos largos. No instante em que você lê este artigo, pode ter certeza, engenheiros e cientistas estão pesquisando ou desenvolvendo alguma inovação que pode impactar diretamente em nosso dia a dia. É o caso, por exemplo, da computação cognitiva que, se por um lado, ainda tem um campo gigantesco para evoluir, por outro, já começa a dar mostras de seu potencial, inclusive em indústrias verticais como a de cuidados com a saúde (healthcare).

 

Pensando nisso, o objetivo deste artigo é analisar os pontos essenciais da tecnologia cognitiva, suas possibilidades e tendências para o universo médico e de que forma já podemos absorver o potencial da inovação nesse segmento. Sim, a era da saúde cognitiva já começou. Você está preparado para esse movimento de transformação?

 

 

Computação tradicional x computação cognitiva

Mas no que consiste, afinal, a computação cognitiva? Para responder a essa pergunta, penso que podemos traçar uma analogia com o estudo musical. Quando estamos no início da aprendizagem de um instrumento, nosso repertório é limitado a uma série de instruções dadas por um professor. A partir de dado momento, no entanto, adquirimos conhecimento suficiente para interpretar partituras, fazer nossas próprias leituras de determinadas canções e até improvisar.

 

Essa é a grande diferença entre a computação tradicional e a cognitiva. Enquanto os sistemas padrão funcionam a partir de uma série de instruções e algoritmos, chegando sempre a determinadas respostas e sendo incapazes de evoluir a partir de determinado ponto, na computação cognitiva, o que temos são sistemas aptos a ler um conteúdo, compreender seu domínio, e, a partir disso, avaliá-lo diante de determinados contextos, sendo capazes ainda de tomar decisões e gerar insights com base em determinadas evidências.

 

Inserindo a computação cognitiva no âmbito do healthcare, estamos falando de plataformas capazes não só de organizar e otimizar as buscas por dados de pacientes, por exemplo, mas também de auxiliar médicos em diagnósticos e tomada de decisões e até otimizar pesquisas na busca pela cura de doenças.

 

Apenas para refletirmos sobre o potencial das tecnologias cognitivas para a saúde, estima-se que hoje apenas 20% da informação que temos sobre os dados de um paciente (prontuários, histórico familiar, exames) é aproveitada no desenvolvimento de tratamentos mais embasados, segundo coordenadora médica da IBM Watson na América Latina, Mariana Perroni.

 

A expectativa é que, com o desenvolvimento e a consolidação de uma saúde cognitiva, cenário no qual médicos passariam a utilizar o big data e sistemas inovadores em seu cotidiano, este número avance, beneficiando toda a população.

 

 

Tendências da era cognitiva na saúde

E não é só a IBM, que está investindo em pesquisas de tecnologia cognitiva para o healthcare. Gigantes como a Microsoft e a Apple já se movimentam nesse sentido, criando todo um ambiente com rico potencial para inovação. Para ilustrar este momento, cito aqui três tendências que podem se fortalecer nos próximos anos em saúde:

 

 

Tecnologia cognitiva para o combate ao câncer e doenças crônicas

De acordo com o Portal Saúde Business, mais de 600 mil artigos sobre Câncer são publicados todos os anos. Imagine poder utilizar a tecnologia cognitiva para poder correlacionar todos estes dados e receber informações a partir de uma plataforma unificada? O mesmo vale para o caso das doenças crônicas e para a otimização de pesquisas de modo geral.

 

 

Estudo do big data em universidades brasileiras

O estudo do big data já é uma realidade em universidades americanas e o que se espera é que as academias brasileiras também busquem acompanhar o ritmo da inovação, de modo que a área de saúde no Brasil evolua em direção a diagnósticos cada vez mais precisos e procura de um maior bem-estar de pacientes.

 

Análise e compartilhamento de dados em tempo real

Por fim, há a tendências da formação de grandes bases de dados sobre pacientes, disponíveis para pesquisadores e envolvendo todo o histórico médico de um indivíduo e contribuindo para o desenvolvimento de estudos na área de saúde. Além disso, o próprio compartilhamento de informações entre doutores e pacientes tende a ser mais objetivo, com a tecnologia tornando mais próxima a relação entre os entes da cadeia clínica.

 

 

Conclusão

A tecnologia cognitiva é uma das principais apostas para o futuro da área de saúde, mas não a única. Machine learning, cloud computing e inteligência artificial são alguns dos outros campos em que pesquisas vem sendo realizadas de modo satisfatório, criando um ambiente em que as expectativas são mais do que positivas e devem beneficiar a rotina de médicos, melhorar a condução de processos operacionais e promover o desenvolvimento de tratamentos clínicos personalizados e mais eficazes. Para tanto, é preciso enxergar a inovação como uma aliada e entender que a era da saúde cognitiva está apenas começando, mas, com certeza, ela veio para ficar. Saúde com o poder da IBM: Com Watson, médicos usam informações de cada paciente para personalizar tratamentos Patrocinado

 

*Mozart Marin é diretor corporativo comercial da MV, fornecedora de sistemas de gestão de saúde. Ele também é investidor anjo e mentor da WOW Aceleradora de Startups.

 

 

Com informações do portal Computer World (26/09/2017)