A educação profissional continuada na área da saúde é fundamental para o aprimoramento dos processos da Medicina Diagnóstica. Nesse sentido, programas de treinamento dentro dos laboratórios são altamente recomendados visando à busca da prestação de serviços de alto nível.

A bióloga clínica Patrícia La Motta de Gouveia Benavente mentora de programas de treinamento em laboratórios de análises clínicas e consultora da CBDL, especificamente na área da hematologia, aborda os principais tópicos apresentados e vivenciados no dia a dia.
1-Como os programas de treinamento podem contribuir para a rotina dentro das áreas técnicas dos laboratórios de análises clínicas?
Os programas de treinamento para equipes técnicas e administrativas dos laboratórios têm como objetivo fomentar o aprendizado continuado e enriquecer conhecimentos envolvendo os profissionais da área. As possibilidades de treinamento para as equipes vão desde treinamentos presenciais até ambientes on-line desenvolvidos de forma motivadora e cooperativa, que atendam às necessidades de cada instituição. A literatura reconhece o benefício da implantação desses programas, reforçando que eles devem incluir etapas de preparação, garantia do preparo, aplicação de conceitos e avaliação da eficácia entre os participantes.
- Qual o papel dos programas de treinamento na área da hematologia?
Uma das áreas mais beneficiadas pelos programas de treinamento é a citomorfologia hemato lógica. Essa técnica permite indicar, identificar, acompanhar a progressão e avaliar a eficácia do tratamento de várias doenças hematológicas por meio da amostra de sangue obtida para a realização do hemograma completo, um dos exames mais importantes e solicitados pelos médicos de várias especialidades. Profissionais habilitados em programas de treinamento citomorfológico em hematologia apresentam maior uniformidade nos resultados, agregando valor à prática clínica e ao cuidado do paciente.
- O que podemos observar entre as equipes nos treinamentos citomorfológicos presenciais?
Os treinamentos presenciais em citomorfologia hematológica permitem que o facilitador avalie a subjetividade individual de cada profissional para os diferentes tipos celulares, quais os deslocamentos existentes em suas contagens, o conhecimento e as dificuldades técnicas do profissional treinado. A prática presencial ainda permite a aplicação imediata das correções necessárias, além de revisões e repetições das leituras celulares, a fim de facilitar a memorização e o aprendizado.
- Quais os principais desafios relacionados ao ensino da hematologia laboratorial?
De acordo com um levantamento da Comissão Brasileira de Análises Clínicas (ABNT CB 36), existem inúmeros desafios para a qualidade do ensino em hematologia entre os estudantes da área da saúde, incluindo deficiências do ensino dos métodos de análises de lâminas hematológicas. As principais dificuldades relatadas pelos estudantes sobre a aprendizagem da hematologia laboratorial são a diferenciação celular do hemograma, a organização do laudo e a interpretação dos resultados.
Abaixo análise mensurada em um período de seis anos, entre 2019 a 2024, antes de iniciarem a estratégia de treinamentos citomorfológicos ; suas dificuldades , uniformidades e maiores conhecimentos diante da execução de lâminas hematológicas em hemogramas complexos e normais.



- Quais estratégias podem ser utilizadas para os treinamentos em citomorfologia hematológica?
Os treinamentos em lâminas requerem a demonstração dos componentes do sangue, que incluem os leucócitos, as hemácias e as plaquetas. O treinamento deve envolver um facilitador responsável pelo gerenciamento, preparação, aplicação, feedback e avaliação do aprendizado. A implementação adequada de programas de treinamento, com uma efetiva integração entre equipe treinada e treinamento facilitado, agrega benefício para a rotina laboratorial, com impacto sobre a confiabilidade dos exames.
Considerações finais
É fundamental buscarmos estratégias para a implementação de programas de treinamento das áreas técnicas dos laboratórios clínicos, especialmente na área da citomorfologia hematológica, propiciando o desenvolvimento de novos conhecimentos, habilidades e atitudes entre os profissionais. A interação continuada entre facilitador e equipe de trabalho, permitindo a troca de conhecimentos e educação continuada, gera uma melhor capacidade reflexiva dos participantes sobre sua prática e melhores resultados.
Com informações do CDBL – 31.03.2025